As questões sobre os possíveis malefícios ou benefícios das tecnologias sempre voltam à tona. É só aparecer uma nova tecnologia e pronto, o debate reinicia. E é exatamente nessas questões que envolvem tecnologias, poder, economia global e relações humanas que a série Black Mirror toca. São cenários e contextos futurísticos com equipamentos que reconfiguram as experiências humanas de forma drástica, deixando todas essas questões ainda mais complexas.

Aproveitando as histórias trazidas pela série, que tal refletir um pouco mais sobre inovação e tecnologia?

Conhecendo a série

A série, uma das mais famosas e comentadas dos últimos tempos, foi criada por Charlie Brooker. Os episódios são independentes e todos tem em comum as relações e consequências geradas a partir de determinados tipos de tecnologia.

O primeiro episódio da segunda temporada, por exemplo, mostra uma sociedade em que todas as relações são estabelecidas com base na pontuação que cada indivíduo tem em um perfil que transcende as barreiras online/off-line. Essa pontuação depende diretamente da forma como o sujeito age e do seu status social. Uma nota baixa é motivo de isolamento e morte social.

Pensando em questões existenciais

O maior motivo de inquietação que a série traz é que, embora futurística, os cenários se aproximam em maior ou menor escala da nossa realidade atual. Em grande parte dos episódios somos levados a repensar questões que envolvem nossas experiências, como a própria morte, os impulsos consumistas e os vínculos que estabelecemos com quem está a nossa volta, por exemplo. Todos esses enredos evidenciam um mundo em transformação e seus impactos na vida de cada um.

O que era para ser a princípio uma solução de problema, como a possibilidade de armazenamento de memórias e driblar a própria morte, suscitam dinâmicas ainda mais conflituosas para o cotidiano.

Encarando nosso presente

Um mundo de telas e de contatos mediados pela tecnologia nós já temos, assim como máquinas e equipamentos que permitem ações que há 20 anos atrás eram inimagináveis. Porém, Black Mirror consegue ampliar essa realidade, gerando desconforto e desconfiança sobre o futuro.

Mas, as grandes lições que a série traz reside nesse desconforto. Despida de moralismos que cairiam facilmente em dicotomias, como se a tecnologia fosse apenas boa ou má, os enredos mostram que a tecnologia só gera impacto diante do uso que é feito dela, seja em um nível pessoal como nas relações virtualizadas ou seja em um nível global, como no armazenamento de dados para fins diversos.

São as formas de uso e as relações que estabelecemos com a tecnologia que vão ditar nosso futuro. Se existe uma crise de valores, ela não foi causada pelo smartphone ou pela internet, mas pela forma como lidamos com esses aparatos.

Bloquear uma pessoa na vida real não é algo tão distante do que já fazemos quando ignoramos alguém que um dia já foi próximo. Criar personagens de nós mesmos também não é nenhuma novidade, afinal, há pessoas que vivem atrás de máscaras.

Dessa forma, todos esses dispositivos e funcionalidades atuais e futuros são apenas a materialização desses nossos comportamentos. E aí, a lição é bem enfática e direta: reaprender a viver consigo, com outro e com o mundo, estando ou não mediado pela tecnologia.

Se você ainda não viu, vale a pena conferir a série e se confrontar com dilemas éticos e morais diante de cada história. Com certeza você vai deixar de lado a imagem de cenários futurísticos de ficções científicas e vai perceber que o futuro já está em curso e, portanto, é fundamental saber lidar com ele.

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